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O compartilhamento chegou na geração de energia

30 de janeiro de 2020

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A cidade de Blumenau, em Santa Catarina, bem poderia ser iluminada pela energia produzida por empresas reunidas pela Cogecom, a primeira cooperativa a atuar na gestão da produção e no rateio do excedente das pequenas centrais de energia. Os mais de 600 cooperados estão injetando na rede, mensalmente 144.000 megawatts/hora (MWh), quantidade suficiente para abastecer 95 mil residências ou uma cidade com mais de 400 mil habitantes.

Entre os cooperados estão restaurantes, escolas e indústrias de pequeno porte que em um ano economizaram, juntos, mais de R$ 1 milhão em energia, numa operação embasada na normativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que em 2012 criou o Sistema de Compensação de Energia Elétrica. Desde então, a Resolução 482 regulamenta a microgeração e a minigeração de energia, facilitando a instalação de pequenos geradores em residências e comércios. A regra, contudo, permitia que a redução no valor da fatura só fosse aplicada na própria unidade de consumo ou em outro local cadastrado com o mesmo CFP ou CNPJ.

Com a Resolução 687/15, que entrou em vigor em março de 2016, as regras foram alteradas e passou a ser possível aplicar a redução entre diferentes unidades, o que abriu o caminho para o estabelecimento do cooperativismo na geração de energia. A resolução também elevou o limite de geração de potência a 3 megwatts (MW) para hidrelétricas e a 5MW para as demais fontes renováveis. Desde então, o setor tem se expandido com grande vantagem para os cooperados.

A maioria das empresas reunidas pela Cogecom está localizada no Paraná. Santa Catarina é o segundo estado mais representativo na cooperativa, que atua em todo o Brasil. As empresas que optam por reduzir seus gastos de energia não precisam fazer grandes investimentos iniciais. A operação permite o uso de energia gerada de acordo com os recursos naturais disponíveis para cada cooperado, como biomassa, energia eólica e hidráulica. Na ponta do lápis, a economia é de até 20%, volume representativo para consumidores de médio porte, cujas faturas de energia no modelo convencional oscilam entre R$ 2 mil e R$ 20 mil mensais.

Estimativas da Aneel apontam que em 2024 mais de 1,2 milhão de unidades consumidoras passarão a produzir sua própria energia, somando 4,5 gigawatts (GW) de potência instalada e uma imensa contribuição para a sustentabilidade. “Não tenho dúvidas de que boa parte desse volume de energia será gerenciado pelas cooperativas”, aposta Carlos Eduardo Furquim Bezerra, diretor da Cogecom.