COGECOM – Cooperativa de Energia

Cooperativa COGECOM amplia presença para outros estados, de olho na alta do setor de energia compartilhada.

29.06.2022

COGECOM é notícia na Petron Notícias. Acompanhe na íntegra:

Neste ano, o Brasil está comemorando os 10 anos da criação das regras para o segmento de geração distribuída (GD), aprovadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2012. Desde então, esse tipo de produção de energia tem crescido de forma considerável no país – dados do setor indicam que a GD passou de 10 GW de potência instalada no Brasil e deve terminar o ano perto dos 15 GW. Uma das modalidades da GD é a chamada geração compartilhada que, em suma, possibilita que consumidores se unam em um consórcio ou em uma cooperativa, instalem uma micro ou minigeração distribuída e utilizem a energia gerada para redução das faturas dos consorciados ou cooperados. Uma das precursoras do setor de geração compartilhada no país é a cooperativa Cogecom. Em entrevista ao Petronotícias, o diretor geral do grupo, Roberto Correa, fala das expectativas de crescimento da cooperativa para 2022. “Até o final do ano, devemos caminhar para uma previsão de crescimento de 400% em relação a 2021. Devemos terminar o ano na casa de 60 MW de potência injetável, que representaria algo em torno de 250 MW de potência instalada”, contou. Além disso, Correa revela ainda que a Cogecom também planeja ampliar sua atuação para novos estados, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Pará e Tocantins. “A nossa ideia é, no curto ou médio prazo, atender a todos os estados da federação”, acrescentou.

Como está a expectativa do mercado em relação ao setor de geração compartilhada?

A geração compartilhada está em um crescimento exponencial da expansão da sua matriz. Se avaliarmos o cenário nacional da geração distribuída, o país está caminhando para a casa de 20 GW de potência instalada. É um número bem representativo que ultrapassa, por exemplo, a potência da usina hidrelétrica de Itaipu. Mas se olharmos esse número com uma lupa, é possível perceber que uma fatia de 12 GW foi acrescentada na rede nos últimos dois anos. Isso demonstra que, de fato, estamos em um crescimento exponencial desse mercado de geração distribuída.

Quais as circunstâncias explicam esse crescimento?

O primeiro fator é a democratização desse modelo de geração distribuída no mercado. Todo produto novo precisa passar por uma curva de maturação. Os primeiros adquirentes são aqueles que experimentaram o produto e, depois, passam a indicá-lo aos demais consumidores. Nesses primeiros dez anos, tivemos esse período de maturação e superamos a primeira curva dos novos entrantes. Agora, estamos em uma curva exponencial. As pessoas já entendem que essa é uma tecnologia viável e não existe mais a desconfiança que existia antes.

Outro fator importante foi o galopante aumento do preço da energia no mercado, o que faz com que as pessoas procurem alternativas para reduzir o custo com a tarifa de energia. A geração distribuída se apresenta como a primeira possibilidade de o consumidor optar por não consumir a energia somente da concessionária. A geração distribuída é a ruptura do modelo de mercado cativo, permitindo uma primeira abertura, para que de fato o consumidor possa escolher de onde vem sua energia.

O terceiro fator foi o avanço da tecnologia, que trouxe uma melhor eficiência na conversão da geração e melhores resultados de retorno de investimento. Esses são os fatores que explicam esse crescimento exponencial do mercado.

Poderia explicar, de forma resumida, como funciona o mercado de energia compartilhada e qual o papel da Cogecom dentro desse setor?

Dentro da geração distribuída compartilhada, existem dois modelos: a geração de energia local e a geração remota (onde a energia é gerada em um local e consumida em outro). Nesses dois modelos, temos o principal conceito da geração distribuída: o empréstimo gratuito da energia para a concessionária. Isso significa que todo o excedente de energia produzido, tanto pelas unidades remotas quanto pelas locais, é cedido a título gratuito de empréstimo para a concessionária.

Para aqueles consumidores que não têm capacidade ou interesse de investirem em geração própria, a Cogecom faz o arrendamento de usinas de energia renovável e, através desse arrendamento, injetamos uma grande quantidade de energia para as concessionárias, a título de empréstimo. Isso nos dá o direito de receber créditos de energia.

Nós utilizamos esse crédito de energia para distribuir aos nossos cooperados. Esse crédito, por sua vez, abate o consumo da conta de energia dos nossos cooperados. Depois, a Cogecom cobra esse valor com um percentual de desconto, trazendo economia para esses consumidores.

Como estão as perspectivas de crescimento da Cogecom?

A tendência é que a Cogecom mantenha os números alcançados no primeiro semestre. Até o final do ano, devemos caminhar para uma previsão de crescimento de 400% em relação a 2021. Devemos terminar o ano na casa de 60 MW de potência injetável, que representaria algo em torno de 250 MW de potência instalada.

A Cogecom está acompanhando o mercado, seguindo o crescimento do setor. Estamos alcançando números exponenciais de crescimento, sustentados por essas três condições que mencionei anteriroemente. A geração distribuída é um modelo seguro para o gerador de energia. A partir do aumento desse modelo, que ganha a confiança dos geradores, você começa a ter mais energia entrando na cadeia da geração, o que nos permite expandir. Nós dependemos de energia barata para crescer a nossa carteira de consumidores.

A partir do momento que rompemos a barreira do desconhecimento e alcançamos a nossa base atual de 12 mil clientes, isso cria uma confiança muito grande no consumidor. A nossa grande vantagem nisso tudo foi o fato de termos sido os precursores nesse mercado. Começamos junto com a mudança regulatória. Então, surfamos toda a onda da maturação e conseguimos acompanhar esse recente movimento de crescimento.

Como está a presença da cooperativa no país e quais são os planos de expansão territorial?

Hoje, estamos em sete estados brasileiros: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Trabalhamos hoje com todas as fontes renováveis de geração de energia, com exceção da energia eólica.  Como disse antes, estamos atendendo mais de 12 mil unidades consumidoras. Somos, reconhecidamente, a maior cooperativa de geração distribuída do país, além de ter sido a primeira.

Temos um movimento de expansão da nossa atividade para outros estados. Existem usinas que estão em fase de implantação e, em breve, poderemos atender outros estados, como Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Pará e Tocantins. Dentro do nosso planejamento, devemos consolidar a expansão para esses estados nos próximos 12 meses. A nossa ideia é, no curto ou médio prazo, atender a todos os estados da federação.